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O que são, o que esperar e os riscos dos fundos de investimento

Se você possui uma conta em banco com algum valor disponível ou aplicado em algo como uma poupança, provavelmente já ouviu seu gerente oferecer fundos de investimento, não é mesmo?

Ainda, se já leu nossa matéria sobre os tipos de investimento para iniciantes já sabe que os fundos são umas das formas de investimentos mais comuns no país.

Hoje veremos em linhas gerais e da forma mais simples e objetiva possível, o que são os fundos de investimento, suas vantagens e desvantagens.

O que são Fundos de Investimentoo que são fundos de investimento

Os fundos nada mais são do que a reunião de valores de diversos investidores (às vezes até milhões deles) com um objetivo em comum, sendo este normalmente obter uma valorização do dinheiro aplicado acima da inflação.

Eles funcionam da seguinte forma: o investidor (que pode ser tanto pessoas físicas quanto empresas) busca um banco ou corretora, escolhe um fundo de acordo com as características que mais combinam com seu perfil e objetivos, e o restante é feito pelo administrador do fundo.

O administrador fará todas as escolhas gerais, realizando as aplicações e resgates em diferentes opções, como títulos do tesouro nacional, ações de empresas, letras de crédito, câmbio, ouro, debentures, etc. Quem limitará a atuação do administrador são as características definidas previamente, as quais o cliente toma conhecimento no momento que resolve fazer o investimento.

Exemplo: um fundo de investimento para clientes conservadores aplicará quase a totalidade de seu dinheiro em títulos do tesouro e letras de crédito de grandes bancos. O motivo disso? Evitar oscilações e minimizar o risco de prejuízos.

Fundos de investimento possuem riscos?

Sim. Os fundos de investimento possuem riscos, assim como TODOS os investimentos oferecidos no país.

O que os Fundos possuem de diferente da maioria dos outros investimentos é a ausência da cobertura do fundo garantidor de crédito, ou FGC, que abrange poupanças, CDBs e letras de crédito, por exemplo.

riscos fundos de investimento

O FGC garante aplicações naquelas modalidades de valores até 250.000,00 reais por CPF e por instituição financeira que o investidor possua aplicações, diminuindo bastante os riscos envolvidos.

Traremos futuramente uma matéria especial que trata justamente de todos os tipos de riscos envolvidos em investimentos financeiros, mas os principais são as variações de mercado (ex: aplicar em dólar e a moeda desvalorizar ou riscos do banco em que o fundo aplicou parte dos valores falir). 

Análise de Perfil do Investidor, o API

No Brasil, a ANBIMA – Associação Brasileira das Entidades de Mercados Financeiros e de Capitais, é responsável pela fiscalização dos Fundos de Investimento, acompanhando de perto seu funcionamento, visando garantir uma grande segurança para aqueles que aplicam nesta modalidade.

É a ANBIMA também quem definiu que o mercado é obrigado a realizar a análise de perfil do investidor, que tem validade de 180 dias, e é obrigatória para quem deseja investir em fundos de investimento.

fundos anbima

O API nada mais é do que um questionário simples, composto de perguntas objetivas que buscam entender os objetivos do investidor e sua tolerância ao risco. O cliente tem o direito de não responder as perguntas, mas terá que assinar o formulário confirmando a recusa.

Portanto, não se assuste e nem fique chateado quando seu banco lhe classificar como um investidor “conservador”, “moderado” ou “arrojado” – estes são os perfis que o mercado definiu para entender o que cada investidor busca e como ele lidaria com possíveis prejuízos decorrentes de seu investimento.

É importante entender que quando falamos de qualquer investimento, duas máximas sempre serão verdadeiras:

“Quanto maior o risco corrido, maior o retorno esperado sobre o investimento”

“Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura”

A segunda frase inclusive é de presença obrigatória na divulgação de qualquer fundo de investimento no país.

Vantagens dos Fundos de Investimentofundos de investimento

A principal vantagem é a facilidade que o investidor tem em acessar tipos de investimento que normalmente não teria, como letras de crédito de grandes bancos que exigem um valor de aplicação inicial muito alto.

Outra vantagem importante é o fato de deixar que um administrador profissional diversifique seus investimentos, buscando boa rentabilidade em prol do fundo sem que o investidor tenha que se preocupar em analisar o mercado, tomar decisões mensalmente ou até mesmo semanalmente.

A terceira e também muito importante é o acesso que alguns fundos de investimento do mercado oferecem a investimentos em bolsas do exterior, que se fossem realizadas de forma individual por um investidor iniciante seriam praticamente inviáveis. Muitos fundos aqui do Brasil investem em ações promissoras como as dos gigantes Google, Facebook e Apple.

Liquidez e sua importância na hora de aplicar em fundos

liquidez

A liquidez nada mais é do que grau de dificuldade que alguém possui para transformar um investimento em dinheiro.

Exemplo 1: você possui um imóvel avaliado em aproximadamente R$ 200.000,00. Apesar deste ser considerado um investimento seguro, dependendo da idade do bem, seu estado e localização, realizar sua venda pode demorar meses ou até mesmo anos, sendo muitas vezes tal prazo imprevisível.

Exemplo 2: todos os fundos de investimento trazem qual é o prazo no caso do cliente solicitar um resgate de um valor parcial ou total que possui no fundo. Enquanto a maioria é de D+1 (um dia útil após a solicitação do resgate), alguns fundos exigem mais um mês inteiro para concretizá-lo (D+30).

Taxa de Administração e demais despesas cobradas pelos Fundos de Investimento

Outro ponto importante é o “preço” cobrado pelo fundo para seu funcionamento. A chamada taxa de administração é uma das despesas que o investidor possui, sendo usada para remunerar o administrador (que tem todo o trabalho em fazer o fundo funcionar) e os demais envolvidos no processo.

A taxa de administração é cobrada ao ano (varia de 0,1% até 5% ou mais) e incide sobre o montante total aplicado e sua eventual valorização. 

Alguns fundos preveem a cobrança de taxa de performance, que precisa sempre ser levada em conta pelo investidor. Ela existe para estimular o administrador a buscar ganhos excepcionais, e quando é bem sucedido, uma taxa que varia geralmente entre 5 e 25% da rentabilidade extra vai para ele.

Por último, citamos a cobrança de taxa de saída em alguns fundos do mercado. Ela serve exclusivamente para reduzir possíveis resgates no fundo, possibilitando uma gestão de longo prazo.

Tal taxa costuma ser cobrada até determinado prazo, como 720 dias. Se o investidor efetuar o resgate após a data determinada, não terá que pagar a taxa de saída.

O imposto de renda, IOF e Come-cotas

Leão Imposto de Renda

Poucos investimentos no Brasil são totalmente isentos da cobrança de tributos. O principal deles é o Imposto de Renda, que incide também sobre os Fundos de Investimento.

O popular IR é cobrado de acordo com uma tabela progressiva que favorece quem espera mais tempo para resgatar uma aplicação realizada. A cobrança sempre será sobre os rendimentos que você obteve no período total que seu dinheiro esteve aplicado. Abaixo reproduzimos a tabela vigente:

imposto de renda fundos

Note que ela varia de acordo com a natureza do fundo de investimento. A grande maioria das opções oferecidas pelo mercado são os fundos considerados de longo prazo.

A segunda tabela refere-se ao IOF, o imposto sobre operações financeiras. Ele é de suma importância para àqueles que necessitam utilizar os recursos com menos de 30 dias após a aplicação:

tabela iof fundos

Como pode notar, o IOF é importante apenas para quem realiza um resgate em tempo inferior a 30 dias após a aplicação. Após esse prazo, o tributo não é cobrado.

Por último mas não menos importante, temos o famoso come-cotas. Este mecanismo é uma exclusividade dos fundos de investimento, servindo basicamente para “antecipar” para a Receita Federal os impostos que os aplicadores pagariam no momento do resgate.

O come-cotas funciona assim: nos últimos dias úteis dos meses de maio e novembro, a Receita Federal desconta dos fundos de investimento o equivalente a 15% dos rendimentos que sua aplicação teve até aquele momento. Os valores já pagos como come-cotas são descontados no momento em que o aplicador efetivar seu resgate no futuro.

Os fundos de investimento em ações não possuem a cobrança de come-cotas.

O que observar na hora de escolher um Fundo

  • Valor mínimo que cada fundo exige para a aplicação inicial. Os valores mínimos são definidos pelas instituições que comercializam os fundos, podendo variar e muito entre as diversas opções disponíveis.
  • Análise do perfil do investidor, o chamado API, que é um requisito obrigatório no Brasil. Tendo ciência de seu perfil, o cliente deverá escolher um fundo com a mesma classificação que o API resultou ou de menor risco. Exemplo: uma investidor classificado como arrojado pode escolher qualquer fundo, já o conservador apenas fundos com tal classificação.
  • Quais são as taxas cobrados pelo fundo
  • Qual o prazo para resgates e o valor mínimo que pode ser resgatado de cada vez
  • Se o fundo cobra taxa de performance ou de saída
  • As alíquotas de imposto de renda

O que esperar de um Fundo de Investimento

Trouxemos em linhas gerais as características básicas dos fundos de investimento. Se na prática os fundos servem para facilitar a vida do investidor, o seu funcionamento e composição não são assuntos tão simples para serem discutidos em uma única matéria.

Os fundos representam uma interessante forma de diversificar investimentos, especialmente para quem busca opções mais promissoras que a poupança.

Conforme dissemos no decorrer da matéria, existem sim pontos negativos, como a cobrança de todos os tributos possíveis e a incidência do chamado come-cotas, mas mesmo assim, alguns fundos de investimento possuem potencial para render o dobro da poupança, mesmo após o desconto das despesas e tributos previstos.